sábado, dezembro 28, 2002

Mazaal TovAna Crônica:
Como a época é d'Ele, entrei na mística judaica.

Vocês sabiam que "a relação de causa e efeito é toda ela sustentada pela percepção da passagem do tempo. Não há nada mais racional do que a noção do tempo. Nossa mais sólida referência e também nossa maior ignorância.
"Saiba, o tempo nada mais é do produto da ignorância: ou seja, o tempo nos parece real porque nosso intelecto é limitado. Quanto maior o intelecto, mais insignificante se torna o tempo".
Tome um sonho, por exemplo. Nele o intelecto menor se torna adormecido e um período de 70 anos pode passar em menos de um quarto de hora..."

(Reb Nachman de Bratslav, início do séc. XIX)

Como o sol que "nasce" e se "põe", dando a sensação que é ele que se desloca, o "tempo" nos ilude de forma semelhante. Somos nós que passamos, mas é o "tempo" que parece se deslocar. É o nosso deslocamento, nossa impermanência, que produz esta sensação de antes, agora e depois. Só o que é vivo tem um "antes, agora e depois".

Bonito né? Haja percepção...foi ex-traído do livro "Sobre DEUS e o SEMPRE. do Rabino Nilton Bonder. Ed Campus/2002, Caléndario hebraico, 5763. [tonfa]

terça-feira, dezembro 24, 2002

Asini e pedanti
Giordano Bruno

O Sant'asinità, sant'ignoranza,
Santa stolticia et pia divotione,
Qual sola puoi far l'anime sì buone,
Ch'human ingegno et studio non l'avanza.
Non gionge faticosa vigilanza
D'arte qualumque sia o 'nventione,
Né de Sophossi contemplatione,
Al ciel dove t'edifichi la stanza.
Che vi val curiosi il studiare,
Voler saper quel che fa la natura,
Se gl'astri son pur terra, fuoco et mare?
La santa asinità di ciò non cura;
Ma con man gionte e 'n ginocchion vuol stare
Aspettando da Dio la sua ventura.
Nessuna cosa dura,
Eccetto il frutto de l'eterna requie,
La qual ne done Dio dopo l'essequie.

(Cabala del cavallo pegaseo)

[Tradução, enviada por Brotonfa]:

Ó santa asneira, santa ignorância
Santa babaquice e devoção piedosa
Só pode fazer boas aquelas almas
Que engenho e estudo não tenham feito avançar.
Não chega lá a cansativa vigilância
de qualquer arte ou invenção que seja
nem a contemplação da sabedoria
lá, no céu onde você se instalou.
Pra que então, almas curiosas, estudar
Querer conhecer a natureza como age,
E se os astros são realmente terra, fogo e mar?
A santa asnaria disso não cuida;
Mas de mãos juntas e de joelhos fica
Esperando de Deus o seu destino.
Nada persevera, afora
O fruto do eterno descanso,
que Deus só dá após a extrema-unção.


quarta-feira, dezembro 18, 2002

SOMOS incapazes de conhecimento certo ou de ignorância absoluta. Flutuamos num meio de vasta extensão, sempre derivando de maneira incerta, soprados para cá e para lá; sempre que pensamos que temos um ponto fixo a que nos segurar e firmar, ele se move e nos deixa para trás; se o seguimos, ele não se deixa agarrar, escapole e foge eternamente à nossa frente. Nada permanece parado para nós.

Esse é nosso estado natural, e no entanto o estado mais contrário a nossas inclinações. Desejamos ardentemente encontrar um fundamento firme, uma base definitiva, duradoura, em que construir uma torre que se erga até o infinito, mas todo o nosso alicerce desmorona.

(“Lewis Carrol and Blaise Pascal” – Jabberwocky, primavera 1983)

Jabberwocky

[tonFa]

segunda-feira, dezembro 16, 2002

"Não há fatos, só interpretações."
Friedrich Nietzsche

quarta-feira, dezembro 11, 2002

Ana Crônica

Em tempo: "Sem opções, vives condenado, como louco que és, ao tempo que te governa finito e cotidiano. Por dentro, fervilhando de infinitos, um destino atemporal não conbina contigo. Não há nada a fazer conscientemente para mudar... a não ser saltar o abismo que separa possibilidades paralelas, viver o instante do vôo e aterrisar onde te espera o outro lado, ou o chão que te esfacela."
De um tal de Risk, excrito a muito tempo... Mas ainda, "da Hora".

segunda-feira, dezembro 09, 2002

Repórter Aéreo: O que? Angra? Onde? Ah... era pra eu comentar que o episódio de Chernobyl pode muito bem ser reeditado por aqui...não? o quê?! (Esse meu ponto eletrônico anda falando tão baixinho... parece cabeça de esquizofrênico em fase de melhora... as vozes começam a sumir...) ...Xiii... desculpe eu ter dito isso... na realidade ando um pouco aéreo. Como dizia o ilustre matemático persa Pegh Ali Mazzoum Shigahim "há malas que vão para Belém"... bem, acho melhor Pará. Fui ler as últimas notícias sobre os conflitos na Venezuela e disse: Caracas!, está parecendo confronto entre os chiitas do MIR.

domingo, dezembro 08, 2002

Quell´heure est il au paradis?Ana Crônica:
Ainda em tempo?
Então para não perder tempo, já que o meu eu o tenho perdido, um poema de T. S. Eliot:

O tempo presente e o tempo passado
Estão ambos talvez, presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo o tempo é eternamente presente
Todo tempo é irredimível.
O que poderia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade,
Num mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Ao longo das galerias que não percorremos
Em direção à porta que jamais abrimos
Para o roseiral


(tradução de Ivan Junqueira)

.... (suspiros) enfim há o que se pensar sobre esses versos, e para pensar é preciso tempo... Então dá um tempo!!! [tonfa]