quarta-feira, junho 25, 2003

provar provérbios I

Photo by Leo Fisscher - Rio de JaneiroEu sei que em boca fechada não entra mosca e que seguro morreu de velho, mas apesar das admoestações de meus pares, resolvi dar nó em pingo d´água, fazer das tripas coração e escrever uma breve crônica – mais anacrônica que nossa amiga Ana Crônica – sobre provérbios. É um texto despretensioso, mas como a árvore se conhece pelos frutos, o leitor reconhecerá o esforço e o empenho do autor dessas linhas, pois, afinal, a boa vontade faz do longe perto. A aranha vive do que tece, do mesmo modo como uma agulha pequena e delgada pode sustentar toda uma família, nas mãos de uma habilidosa costureira. Eu, por minha vez, tento lucubrar na trama do texto um tecido agradável de se percorrer com os olhos e, sobretudo, com o coração. Sei que não sou um bom escritor. A carapuça é pra quem a veste e eu não me furto de vestir a do presunçoso escrevinhador, tentando escrever certo por linhas tortas, mas fadado ao contrário.

Cedo me perguntava com quantos paus se faz uma canoa e, apesar de não ser ribeirinho e prescindir de semelhante embarcação, pus-me a fabular histórias, recortar e colar fragmentos, engendrar enredos onde pudesse multiplicar as páginas e que tudo fizesse sentido como mágica! Como explica o adágio: Cesteiro que faz um cesto, faz um cento, e tendo cipó e tempo, faz duzentos. Eu colecionei tantos que perdi a conta. São sem monta.

Não posso obrigar meus leitores, tão parcos, a ler além de um certo número razoável de caracteres. Afinal, a amar e a rezar, ninguém pode obrigar.

Dedico esse ensaio em capítulos aos meus confrades e comfraldas (que nos impedem que nos mijemos de tanto rir), Tonfa e Camba, pois a amizade é uma gota que pinga no cálice da vida para diminuir seu amargor. Como as de adoçante no café bem passado das Quintas!

quinta-feira, junho 12, 2003



O essencial é saber ver,
Saber ver sem estar a pensar,
Saber ver quando se vê
E nem pensar quando se vê
Nem ver quando se pensa
Mas isso (triste de n?s, que trazemos a alma vestida)
Isso exige um estudo profundo,
Uma aprendizagem de desaprender.

Fernando Pessoa.