quinta-feira, fevereiro 26, 2004



O RISO

Chamamos a atenção para isto: Não há comicidade fora do que é propriamente humano.

Uma paisagem poderá ser bela, graciosa, sublime, insignificante ou feia, porem jamais risível. Riremos de um animal, mas porque teremos surpreendido nele uma atitude de homem ou certa expressão humana. Riremos de um chapéu, mas no caso o cômico não será um pedaço de feltro ou palha, senão a forma que alguem lhe deu, o molde da fantasia humana que ele assumiu.

Como é possível que fato tão importante, em sua simplicidade, não tenha merecido atenção mais acurada dos filósofos?

Já se definiu o homem como "Um animal que ri". Poderia também ter sido definido como "Um animal que faz rir", pois se outro aninal o conseguisse, ou algum objeto inanimado, seria por semelhança com o homem; pela caracteristica impressa pelo homem ou pelo uso que o homem dele faz.

(ex-traido do livro "O Riso" H. Bergson 1940)




quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Viver não dói
Carlos Drummond de Andrade

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.


A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.

terça-feira, fevereiro 03, 2004

MacMerda, ô meu!

Escoceses acessarão a internet via esgotos, diz a notícia. Agora, na terra do melhor uísque, pode-se utilizar a bunda larga, digo, a banda larga, e o chuveirinho ao mesmo tempo. Uma campanha para estímulo da nova ferramenta anuncia: "Be There". Os franceses, troçam, dizendo: "bidê!".

doPa
Diante das desgraças causadas pelas chuvas em todo Brasil, surge nas pessoas o sentimento de solidariedade ou cooperação, que sempre aparece em situações de emergência e calamidade.

Sentimento que nasce espontaneamente no ser Humano, que nos faz Humanos. Nos Humanizamos.
COOPERAÇÃO: Uma situação cooperativa é aquela em que os objetivos do indivíduo são de tal ordem que, para que o objetivo de um deles possa ser alcançado, todos demais integrantes, deverão igualmente alcançar os seus respectivos objetivos?. Afirma MORTON DEUTSCH (in Rodrigues, 1972).

Mas passadas as emergências, as calamidades, volta-se novamente a vida cotidiana. Volta-se a "normalidade" do dia a dia. A cultura que nos envolve, nos impõe a justificativa da sobrevivência, para sermos competitivos e a cooperação e solidariedade desaparecem. Nos des-Humanizamos.
COMPETIÇÃO: Para DEUTSCH ( in Rodrigues, l972), uma situação onde, para que um dos membros alcance os seus objetivos, os outros serão incapazes de atingir os deles, caracteriza-se como uma situação competitiva.